Andre Moura

Mediação e Coaching

Acolhendo a vulnerabilidade – por Brené Brawn

Brené Brawn é uma pesquisadora do comportamento humano. Que fala sobre o poder da vulnerabilidade. O vídeo abaixo está em inglês. Se você não entende ou prefere ler, eu fiz uma tradução que está abaixo do vídeo. Aproveite, é muito interessante e inspirador :)

Vulnerabilidade e empatia

Nós pensamos em vulnerabilidade como uma emoção sombria. Há muita gente que fala em emoções positivas, emoções negativas, emoções iluminadas, emoções sombrias.

Nós, (a maioria de nós, pelo menos), pensamos em vulnerabilidade como uma emoção sombria.

Nós pensamos nela como a raiz do medo, da vergonha, da tristeza, da decepção, da incerteza.

Coisas que nós não queremos sentir, certo? Coisas como: “eu não quero estar vulnerável porque isso significa estar com medo, estar incerto, estar em risco, estar exposto, estar triste”.

Então o que fazemos é nos armar. E dizemos “eu não quero cair nessas emoções sombrias, eu não vou me deixar ser vulnerável!”.

Mas aqui está o que eu aprendi em minha pesquisa, e que eu coloquei em movimento na minha própria vida, provocando uma mudança profunda:

Vulnerabilidade é o centro das emoções difíceis, mas é de lá que nascem as emoções positivas que precisamos em nossas vidas!

Amor.

Pertencimento.

Alegria.

Empatia.

Quantos aqui não concordam que temos hoje um déficit sério de empatia em nossa cultura? É muito claro, não?

E sem vulnerabilidade não há empatia!

Em uma cultura onde as pessoas têm medo de ser vulneráveis, não dá para ser empático!

Empatia não é uma resposta automática. Se você compartilha algo comigo que é difícil, para que eu consiga ser verdadeiramente empático, eu tenho que entrar no que você está sentindo. E isso é estar vulnerável!

Pois é, não pode haver empatia se não houver vulnerabilidade!

Porque você acha que a história que vou contar acontece assim:

A filha chega em casa e fala em lágrimas: “mãe, ninguém sentou comigo no recreio hoje! E tiraram sarro das minhas roupas! E aí, ninguém mais fala comigo! E derrubaram no chão todo meu material!”. E a resposta da mãe é: “Eu não te disse?! Onde estão aquelas roupas legais que eu te comprei?!? Porque você não usa?! E prende o cabelo! Já não te falei?!”

Isso é uma resposta empática? Não, é uma resposta que provoca vergonha.

Pode acontecer de uma mãe que ama profundamente sua filha responder assim? Por favor, seja sincero e responda que sim, não se iluda, por favor. Se você que está escutando é um pai ou uma mãe conhece pelo menos o impulso de dar essa resposta. Talvez não nesse contexto, mas em algum contexto.

Mas porquê? Porque isso acontece?

Onde está o acesso à vulnerabilidade? Onde está a empatia?

Você não consegue acessar empatia, se você não estiver disposto a estar vulnerável.

Pois então, se minha filha chega em casa e me conta essa história, adivinha o que eu tenho que fazer: eu tenho que acessar aquela menina de mãos suadas, da sétima série, que vive dentro de mim; e eu tenho que sentir “Nossa! Como isso é difícil!!!”…

“Sinto muito, querida! Isso já aconteceu comigo! Já aconteceu comigo quando eu estava na escola e aconteceu comigo semana passada… Vamos conversar sobre isso?”

Mas você não consegue chegar aí sem vulnerabilidade. Você não consegue fingir empatia.

Sobre vulnerabilidade e criatividade (e sobre a dificuldade de enxergar)

Inovação e criatividade nascem da vulnerabilidade.

(Essa é minha parte favorita. Eu falei sobre isso tudo em um TED, nesse ano, em Long Beach. Eu contei essa história: )

Em 2011, no mesmo ano em que minha fala no TED se espalhou pela internet e teve milhões de acessos, eu comecei a receber convites das maiores empresas do mundo: “Nossa! Nós adoramos sua fala no TED! Foi incrível! Por favor, venha dar uma palestra aqui para nossos líderes executivos!”.

E eu dizia: “Ok! Do que vocês querem que eu fale?”.

E eles: “Não importa! Desde que você venha!… Só, se você puder deixar de lado essa história de vergonha e vulnerabilidade…”.

Todos convites eram assim! Tirando, talvez, 10% deles.

E eu dizia: “Como assim?”

E eles: “Bom, você é divertida. E você fez essa pesquisa incrível. Nós achamos que você encaixa bem com o que fazemos aqui…. Só que nós não lidamos com esse tipo de coisa por aqui. Por isso, se você puder não mencionar vulnerabilidade e vergonha…”.

Então, só para dar um pouco de corda, eu dizia: “Ok, sobre que vocês querem que eu fale? Rendimentos do quarto trimestre? Balanço patrimonial? Tipo… eu não vou falar sobre isso. Então, sobre o que vocês gostariam que eu falasse?”

E eles: “Bem… a grande questão: criatividade e inovação

Eu: “Hummm”

Eles: “E mudança… Nós estamos passando por muitas mudanças”

Ha! Ok.

Vulnerabilidade é o lugar de onde nascem criatividade, inovação, mudança. E a razão da crise que está acontecendo é que não estão falando sobre vulnerabilidade! Imagine: criatividade e inovação sem vulnerabilidade?!

“Eu estou pedindo que você crie um produto que funcione…

Que nunca foi feito antes…

Que seja completamente inovador…

Eu preciso que você seja criativo…

E eu preciso que você apresente esse produto para um grupo de pessoas, que pelo menos metade não vai entender e/ou vai achar que se trata de algo estúpido.”

Não, não, não. Nada de vulnerabilidade aí!

***

A palestra segue, mas o vídeo termina aqui. Se você se interessou e quiser conhecer mais sobre o que ela fala, procure por Brené Brawn na internet, tem muita coisa sobre ela, e é fácil de encontrar.

Um abraço e boa semana!

Coaching: você sabe do que se trata?

“Um processo de empoderamento para a mudança, onde você trabalha para entender onde você está e caminhar para onde você quer ir.” – A. Hutz

Não é uma boa definição!?

Bom, mas talvez você queira saber mais na prática, não?

Na prática é um processo de conversas e reflexões, onde um profissional qualificado o ajuda a:

  • ter clareza de seus valores, objetivos e sonhos
  • desfazer bloqueios emocionais
  • eliminar crenças limitadoras
  • trazer à tona recursos que você possui
  • desenvolver estratégias
  • acompanha-lo enquanto realiza ações.

Ele é um processo objetivo, que produz aprendizagem e transformação, e é muito voltado à ação. Normalmente acontece em sessões semanais ou quinzenais. E costuma ter um extensão definida de 10 sessões.

A quais casos ele se aplica

O coaching é bem conhecido em ambientes corporativos, o chamado coaching executivo. Normalmente a empresa contrata um coach para ajudar um funcionário com algum problema.

Agora, existe também a possibilidade de se procurar coaching por conta própria. Nesse caso, ele pode servir para cuidar de um universo maior de questões, como:

  • mudança de carreira e outras questões de profissão
  • busca de propósito de vida e realização
  • relacionamentos difíceis
  • decisões a tomar e escolhas a fazer
  • questões de administração da vida: melhorar as finanças, fazer planejamento familiar, comprar um carro, etc

Caso você esteja se perguntando se isso funciona, aqui vão…

 … algumas estatísticas

Em países como os EUA mais de 30% das pessoas já passaram por um processo de coaching e no Brasil o número vem crescendo todo ano.

Famosos e atletas se beneficiam do Coaching para potencializar suas habilidades. A jogadora de tênis Serena Williams, o ex-presidente dos EUA, Bill Clinton e a apresentadora de TV, Oprah Winfrey são apenas alguns exemplos.

Mas e o que você tem a ver com isso?

Bom, pelas respostas que recebo, cerca de 25% das pessoas que leram posts neste blog já fez e recomenda o coaching, o que é mais uma prova de que esse método é eficaz.

Quer saber quanto custa uma sessão de coaching?

O valor varia de R$200 a R$4000 por sessão. Mas calma. Há alternativas, das quais falarei mais abaixo.

Muita gente não apenas precisa, mas tem extremo interesse em fazer coaching. O que acontece é que para algumas dessas pessoas, o valor cobrado representa um obstáculo insuperável. Como disse, há alternativas, veja:

Alternativas

Alternativa 1 – Coaching em grupo.

Um grupo mínimo seria de 3 pessoas. Até 8 participantes é possível encontrar por aí. Quando o grupo é maior, é possível que o grupo seja tocado por dois coaches.

Em grupo você tem a chance de dividir o valor da sessão. É possível chegar a um valor de R$50 por sessão por participante.

Nesse processo você terá menos tempo dedicado especificamente para o seu caso. Por outro lado, o trabalho em grupo é muito rico, há muitas possibilidades de feedbacks (veja um texto sobre feedback aqui) e de trocas, e você pode aprender muito com o que se passa com os outros participantes.

Uma dificuldade é que não é tão fácil montar grupos e há poucos coaches habilitados a fazer isso. Eu sou um deles, o que é uma vantagem para você, se tiver interesse (pelo menos a parte do coach está fácil, é só clicar aqui e entrar em contato).

Alternativa 2 – Rede de atendimento

Uma rede de atendimento é um projeto que reúne profissionais de coaching qualificados para atender a um valor mais acessível.

Isso só é possível porque a organização em rede traz vários benefícios para os coaches que participam dela – como divulgação do seu serviço, compartilhamento de espaços, supervisão com descontos – e isso os possibilita cobrar menos por seus serviços.

O propósito de um projeto como esse, além de ampliar o alcance no mercado para os coaches, é difundir o método de coaching, que é um método tão rico e que já vem gerando resultados positivos em todo o mundo.

Para dar uma referência concreta, uma rede assim é a RAIA Coaching, que é a rede de atendimento do Instituto Appana de Coaching. Na RAIA a sessão custa, hoje (*), R$90! Quem procura a Rede será atendido por esse valor por coaches que normalmente cobram entre R$300 e R$400 em seus consultórios particulares.

Aqui vai um link para mais detalhes do projeto – RAIA Coaching.

(*) A RAIA – Coaching é um projeto que está no começo e o valor cobrado é um valor de lançamento. Infelizmente não se pode garantir que esse serviço seja realizado por esse valor para sempre. Por isso, se houver interesse, não demore muito a entrar em contato.

Enfim, é isso…

Bom, é isso aí, tá tudo certo. No mínimo, se você leu até aqui, aprendeu sobre o que é Coaching, quanto ele costuma custar por aí, e quais alternativas existem. Espero que tenha sido interessante!

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O que é bom e não muda

Eu tenho um tio que tem Alzheimer. Ele vive hoje em um asilo e ainda lembra de mim.

Ele não era particularmente uma pessoa de mente brilhante. Por isso acho que não lhe faz falta a memória. Não tanto assim. E assim ele vai vivendo os dias dele, sempre no presente.

É difícil entender e às vezes tento. Dá uma sensação de desespero imaginar perder a memória. Claro, a memória é um bem muito precioso. E ela nos dá poder.

Meu tio não era uma pessoa que tinha nenhum grande poder particular. Por isso acho que não lhe faz falta o poder. Não tanto assim. E assim ele vai vivendo os dias dele, como pode.

Claro, ele não pode se cuidar. Não de forma completamente autônoma. Autonomia é algo que nos dá liberdade, o que é inestimável quando temos. Mas será que sempre?

Meu tio era um cara muito livre, não tinha filhos e vivia por aí, basicamente sustentado pelo dinheiro da família. Mas acho que à liberdade ele não dava muita bola. Talvez preferisse ser cuidado. Sem a autonomia e a liberdade que tinha, hoje ele é cuidado. E assim ele vai vivendo os dias dele, como uma criança.

Acho que ele sente falta de receber visitas. Meu pai vai lá toda a semana. Eu me proponho a ir, mas não tenho conseguido manter a frequência. Isso sim acho que lhe faz falta. Mas não dá para saber. E ele sempre foi e continua sendo um cara difícil. O que não estimula as pessoas a visita-lo.

Por exemplo, ele tem um comportamento que suga a energia de quem está com ele. Fala sem parar, um jeito de manipular a atenção do outro. Agora, como não tem memória direito, repete-se muito. E não fala coisas muito brilhantes.

Ele até é engraçado. Mas cansa.

Talvez uma hora ele canse desse comportamento, não sei. Vê-se nele como os vícios são difíceis de mudar.

Mas, por outro lado…

Outro dia estávamos sentados na varanda que dava para o jardim do lugar, quando um pássaro pousou numa árvore próxima. Vi ele olhando para o bicho em silêncio com um sorriso. Durou poucos segundos, mas eu percebi algo ali. Algo bonito e que não mudou. E que não depende da memória. Um encanto, alguma coisa assim.

Meu tio, é difícil, rabugento, manipulador, mas uma coisa, em particular, eu gosto nele: ele tem um coração grande. Lembro que ele, sempre que via um menino de rua, dava um jeito de dar alguma coisa. Mesmo sem dinheiro e cheio de dívida, como sempre estava nos últimos anos. E ficava genuinamente admirado quando o menino apresentava um número qualquer. “Gostei! Você viu!!! Difícil fazer isso!!”, mesmo que fosse um malabarismo com duas bolas de tênis. Era uma conexão bonita de ver, eu achava.

Quando o pássaro pousou naquela árvore, eu vi aquele mesmo coração. Que é o mesmo que ele tenta esconder quando me vê chegar para visita. No caso do pássaro, como disse, não demorou mais que alguns segundos. Eu perguntei se ele tinha gostado do pássaro e ele disse algo como “xiii, esse bichinho vagabundo!” e gritando disse algo como “Xô, sem vergonha!!!”. Usando outras palavras menos singelas, umas que achei melhor não colocar aqui e que ele gosta muito de usar.

Da última vez em que o visitei, perguntei à dona do estabelecimento se ele estava bem. Ela não tinha dúvida. Segundo ela, ele está sempre com uma energia boa. Vive brigando – de brincadeira – com as pessoas do lugar (típico dele). Acho que é sua brincadeira preferida. Claro, se eu não contar o quanto ele gosta de mexer com as mulheres que ele acha bonita. Vícios são difíceis de mudar. Mas enfim, como a dona mesmo descreveu, ele parece uma criança.

Disse, lá no começo, que dá um desespero imaginar perder a memória. Na verdade, hoje, não é mais tão assim. Já foi, não é mais. Porque vejo que o que é vivo continua.

E acho que entendi uma coisa: que para a nossa segurança na vida, é mais importante ter construído relações sólidas e profundas, que lutar para preservar qualquer poder. Meu tio tem sorte de ter quem garanta seu cuidado. O que tem a ver com um laço muito sólido, como é o de um irmão. Mas ele poderia ter mais, se tivesse sido mais cuidadoso com as relações durante a vida.

E reflito sobre a importância do trabalho de autoconhecimento. Não pelo trabalho que meu tio faz ou fez em algum momento na vida. Mas pelo meu próprio, na verdade. Porque quando olho para ele me vejo. E vejo nele algo que continua a brilhar, apesar de seus vícios.

Quando conheço em mim o que brilha e não muda com o tempo, um outro tipo de confiança nasce. E fica mais fácil de confiar que a vida dá seus jeitos.

(este post também foi publicado no conversasdificeis.com)

Ter razão ou ser feliz?

A primeira vez em que ouvi essa questão eu achei que ela não fazia sentido. Se eu sou feliz eu tenho razão… Não me parecia que era um ou outro. Depois entendi que se tratava de, em certas situações de conflito, abrir mão de ser “aquele que tem A razão” para poder chegar a uma situação de paz.

Não gostei da ideia de abrir mão do que é certo para ser feliz, me pareceu que podia ser uma receita para ‘empurrar com a barriga’ os problemas. Fiquei cético, mas também não disse que não. Deixei a vida andar.

E andou até um sábado de manhã.

Eu passeava sozinho por uma alameda num dia gostoso de sol, quando uma frigideira veio voando sei lá de onde na minha direção. Não, não estou brincando não, era uma frigideira! Inacreditável, né? Na verdade, na hora eu não vi nem entendi o que era. Veio como um freesbie escuro desajeitado. Abaixei por reflexo e o objeto voador passou de raspão e bateu no tronco de uma árvore fina. Era uma goiabeira e três goiabas caíram, uma delas em mim.

Primeiro tomei um susto. E eu sou assim: quando tomo um susto e me parece que algo errado aconteceu, eu logo acho que é minha culpa. Junto com a culpa já iniciei uma análise minuciosa para ver se havia alguma razão compreensível para o que tinha acontecido. Era uma frigideira!? Como pode, uma frigideira!?!

Não, não havia qualquer razão que justificasse aquilo. Senti um alívio (bom, não era culpa minha). Virei então, curioso. E vi um casal discutindo na frente de uma casa, dessas que não tem muros, sabem? Pois é, e ali estava o casal, ele de cueca tipo calção e ela usando um robe. A discussão seguia quente e eu demorei para entender qualquer coisa porque um ficava interrompendo o outro:

Você falou que… Mas não me venha com essa história, você sempre… Você sempre o que? Não vem você mudar de assunto, ontem você não falou que… Falei, mas não importa, porque eu não tive chance… Ah, não teve chance! Como assim!!! São dez horas da manhã!! Alguma hora eu disse que ia acordar cedo? Quando acordei você já estava lavando a panela, com essa cara enfezada…
Ah!!!! Era sobre a frigideira mesmo a discussão! Depois de mais um tempo ouvindo eu entendi… mais ou menos. Vou contar o que eu entendi.

Ele tinha prometido que lavaria a panela assim que acordasse, só que ele acordou tarde e a mulher não quis esperar. E aí estava a sua razão: não era culpa dele que ela não tinha aguentado esperar e a panela já estivesse limpa quando ele se levantou.

Pois é, mas toda história tem dois lados.

E o lado da mulher era que ela sempre acabava lavando a louça, mesmo quando era a vez do moço. Naquela noite ela tinha decidido que não cozinharia se ele não lavasse. E ele prometeu que lavaria. Ao fim da refeição, os dois estavam com preguiça, era tarde e ele a convenceu deixar para o dia seguinte.

O dia seguinte chegou e ela já estava acordada havia um tempo, vendo a louça atrair moscas! No fim, ela não pode esperar. E essa era a sua razão: ele fez de tudo pra que não houvesse outro jeito que não fosse ela lavar a panela… mais uma vez!!!

A razão é uma coisa fria em si, mas, dependendo da sua conclusão, ela pode esquentar bastante as coisas. Acho que era isso que estava acontecendo ali…

Eu entendia a lógica. Dos dois. Mas do lugar onde eu estava, ou seja, de fora da situação, não me parecia que uma panela suja esquecida era motivo pra tanto desgaste?! E, olha, – talvez vocês reconheçam isso que eu vou falar – é bom estar nesse lugar, né? É como estar assistindo um filme. Acho que dá uma felicidadezinha só de saber que “o problema não é meu” e que eu “posso apreciar a beleza da vida sem ter que me envolver em mazelas como essa”.

A moça enfim entrou na casa, bateu a porta com força e aparentemente trancou, porque o moço tentou entrar e não conseguiu. Fez força, empurrou e terminou dando um chute na porta seguido de um grito de raiva. Bufou. Olhou ao redor e deixou os ombros cair, resignado.

Veio então andando até mim, se abaixou do meu lado, pegou a frigideira sem falar nada, e se virou voltando, como se eu não estivesse ali. Ser ignorado às vezes pra mim é bem ruim, e foi aí que veio a raiva. Não achei aquilo certo! Poxa, eles quase me acertaram! Eu teria me machucado se eu não fosse rápido. E ainda uma goiaba caiu na minha cabeça!!! Não era o caso dele me ignorar…

Hei, …. – eu ia demandar uma desculpa, mas por acaso respirei. O dia não estava lindo? Ele me devia um reconhecimento, um pedido de desculpas, eu estaria certo de exigir, eu teria RAZÃO… Mas o dia estava lindo e exigir qualquer coisa ali só ia causar raios e trovões. Olhei o homem subindo a rampa de grama de volta pra casa, carregando um infernozinho dentro dele.

Concluí que eu devia deixar pra lá, mas o fato é que ele me ignorou e em seguida ignorou meu chamado! Eu respirei mais uma vez. Onde me doía aquele descaso. No ORGULHO!!! Exigir qualquer coisa dele seria puro orgulho, necessidade de reconhecimento, me pareceu. Iniciar uma briga ia resolver? No meu caso eu sei que não, porque eu não fico muito feliz quando eu explodo. Eu fico chateado, na verdade. E ainda tinha boas chances de eu não receber qualquer reconhecimento, mesmo assim.

Tá, ok, mas meu orgulho estava ferido. Chamar o outro à razão tinha o claro potencial de gerar mais conflito, não era a melhor solução. Ter razão ou ser feliz? Hummm, eu poderia ir embora, eu não estava assim tão ferido. Nada que mais algumas respirações em silêncio não curassem.

Mas pensei que era uma oportunidade para testar algo.

“Talvez a chave não seja buscar a razão. Talvez a ideia seja eu me perguntar como eu posso me sentir melhor…” O que eu poderia fazer para cuidar do meu orgulho ferido ali?

“Que tal tentar empatia?” pensei. Na dúvida, empatia, acho que essa pode ser uma boa regra. Olhei pra ele e me vi. Em tantas brigas sem sentido que tive com namoradas, com irmãos, com amigos. Percebi também o medo que eu tinha dele, o medo um homem estranho, um medo que me colocava numa situação de defesa. Percebi que esse medo ele também devia ter de mim. Acho que olhei pra ele e entendi. E nessa hora senti uma coisa boa, e um sorriso espontâneo me veio com uma emoção que molhou meus olhos.

Abaixei, peguei uma das goiabas. Estava cheirosa. Limpei na camisa, respirei fundo mais uma vez, mais aliviado, e dei uma mordida.

Foi aí que o homem, pra minha surpresa, se virou e disse:

– Cara, a panela não te pegou não, né? Desculpa a confusão, viu…

Olha!!! Reconhecimento :)

– Não esquenta, cara. Boa sorte, aí.

E eu continuei meu caminho melhor do que comecei.

(Este post também foi publicado no conversasdificeis.com)

Aqui começa…

Oi.

Escrever sobre a vida pode significar muitos caminhos. Escrever sobre relações também. Então por onde andará este blog?

Eu gosto de escrever. Escrevo como se estivesse falando. Depois corrijo, porque muitas vezes – quem me conhece sabe como é – eu posso ser um pouco confuso. Anyway – digressões à parte – o que quero dizer é que escrevo fácil. E já que eu gosto e é fácil, muitas vezes escrevo porque quero, porque tenho vontade, sem qualquer pretensão. Escrevo para mim.

No entanto, estive pensando que gostaria que lessem o que escrevo. Quanto mais gente melhor. E mais: gostaria que o que escrevo servisse às pessoas. Pensei então: escrever sim, mas escrever para quê? O que eu posso dar que as pessoas achem útil?

Como sou life coach, achei que posso escrever sobre a vida e seus caminhos. Sobre escolhas, sobre propósito, sobre o que vale a pena para cada um, sobre como encontrar a si próprio. Não que eu tenha as respostas, mas acho que tenho boas perguntas e boas reflexões. E algumas histórias.

E como sou mediador, achei que posso escrever sobre as relações e seus caminhos. Sobre os nós e seus desmanches, sobre o que se passa com as pessoas, sobre as formas de trocas que valem a pena, sobre como encontrar de verdade o outro. Como disse, sou mediador, o que significa que estudo e pratico sobre isso. Então…

Mas acima de tudo, ficaria feliz que nesse espaço acontecessem trocas. E se for mesmo assim como eu quero, os caminhos deste blog dependerão do leitor. É o que me deixaria mais feliz :) Não acho que isso vai acontecer do dia para a noite, mas não tenho pressa.

Por isso, seja bem vindo você que está aqui. Espero que seja tudo muito divertido e vivo. Pra você e pra mim.

© 2017 Andre Moura

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